Sem noção de amor fraterno// O homem agride o irmão,// Num ato que mostra o inferno// Que trás em seu coração.

Rosa Regis Brincando com os Versos

Pensares que se transformam //espalhando poesia, //pegam carona no vento// enchem meu ser de alegria

Textos


RESPEITO À DIVERSIDADE É DE NOSSA OBRIGAÇÃO
( feito para participar do IV Prêmio COSERN
de Literatura de Cordel
)


             

De: ROSA REGIS


Meu Deus de Imensa Bondade
Dai-me o saber pra falar,
Aqui, da diversidade,
No sentido de informar,
De acordo com meu conceito,
O que deverá ser feito
Para a mesma, respeitar.

Falar da diversidade
E do respeito devido
A ela, traz-me à lembrança
Um papo por mim ouvido
Que deixou-me arrepiada,
Porque fiquei revoltada
Com alguém no papo envolvido.

Falava de tolerância,
E isto me fez pensar:
“Tolerância? Mas, por quê?
Não há o que tolerar!
Visto que: à alteridade,
Nós devemos, na verdade,
No mínimo, respeitar.

Num mundo globalizado,
Onde há padronização
Respeito à diversidade
É, em si, a afirmação
Daqueles que vão buscar
O direito de escapar
Da tal massificação

A diversidade em si
É uma realidade
Que sempre há de existir
No seio da humanidade.
Temos que ser conscientes,
Somos todos diferentes!
Esta é a grande verdade.

Valorize o “diferente”,
Pois isso é reconhecer,
De uma forma bela e plena
Sua alteridade, e ser
Conhecedor da existência,
No outro, da sua essência.
A si mesmo, no outro ver.

Mas, se alguém não me aceita
Com minha forma de ser
Deverei, eu, condenar
A sua forma de ver?
Me pergunto e me respondo:
Se assim for estou pondo
O que aprendi a perder.

Valorizar o diverso
Não pode ser “fetichado”.
Só há sentido se houver
Troca, for compartilhado
De forma que “os diferentes”,
No ato, tornem-se entes
Tal e qual, de lado a lado.

Pois diversidade, em si,
Só tem sentido na troca.
Se não se deixa tocar
E nem no “outro”, ela toca,
Não há compartilhamento,
É algo sem sentimento:
Cada qual na sua “loca”.

O capital, habilmente,
Tudo em consumo transforma,
Inclusive o diferente.
Vendo-se que, desta forma,
O exótico, o intocado,
Em produto é transformado
Seguindo um padrão ou norma.

Lá na escola me ensinaram
Que “somos, todos, iguais”.
As pessoas são diversas!
Isso não quer, ademais,
Dizer que não aceitemos
As diferenças! Devemos
Divergir dos ancestrais.

A formação do indivíduo
Depende da educação:
Do ensino/aprendizagem,
Da socialização,
Que é onde o cognitivo,
O físico e o afetivo,
Juntam-se entrando em ação.

Para se bem educar
Terá que haver muito amor!
Amor incondicional
Ao que se faz e ao que for.
E, de forma radical,
Um amor especial,
Amor unificador.

No que diz respeito à Escola,
Os rumos da educação
Terão que ser definidos
Por todos na mesma ação.
O processo educativo
Com fim participativo
Faz com que haja comunhão.

E havendo comunhão
Há uma possibilidade
De capacitar a todos
Envolvidos de verdade,
Para as participações
Na busca de soluções
Para escolar a cidade...

De uma forma democrática,
Todos terão, por direito,
De dar sua opinião,
De emitir o seu conceito.
E para assim vir a ser,
Será necessário haver
Às diferenças, respeito.

Para que haja respeito,
Real, à diversidade
No colégio, no trabalho,
Em qualquer localidade,
Dignidade e direito
Para todos, com efeito,
É necessário, em verdade.

Uma escola que respeita
A diferença, afinal,
É uma escola pluralista
Voltada pro social,
E cada um ser que a compõe
Opina: aceita ou se opõe,
De uma forma natural.

Pois uma escola é composta
Por pessoas diferentes,
De opiniões variadas,
Coisas diversas nas mentes.
Surgindo a necessidade
De que ocorram, na verdade,
Combinações permanentes.

Se nós não pudermos ter
Uma escola igualitária,
Que nossa escola não seja,
Porém, tão deficitária!
Reconheça as diferenças
Sociais, de raça, crenças...
Com qualquer indumentária.

A imagem construída,
Geralmente, do irmão
Que porta deficiência,
Legitima uma exclusão
Política e social,
Causando-lhe, como tal,
Verdadeira humilhação.

Pois, projetar sobre “o outro”
Uma imagem inferior
Pode levá-lo a pensar-se
Um ser sem qualquer valor.
E poder-se-ia, então,
Dizer-se disto, opressão,
Ato desrespeitador.

Da heterogeneidade
Já não se pode fugir!
Há diversidade em tudo
Não há o que discutir:
Desde a comportamental
À étnica e a racial...
Nela temos que imergir.

No multiculturalismo
Há aquele Conservador;
Liberal; corporativo;
O crítico... Onde o valor
De cada, é essencial
Para que haja, afinal,
Um bom denominador.

E o “tolerar” me enerva!
Pois eu penso que “aceitar”
De uma forma tolerante,
É, em si, discriminar.
Tenho que ser consciente
De que um pensar “diferente”
Só vem ao meu completar.

Por que haver percentual,
Em si discriminador,
Marcando de “incompetente”
Àquele trabalhador
De física deficiência,
Porém tendo a competência
De qualquer um no labor?

Há diferenças: de sexo,
De fé, de raça e, afinal,
De geração, de cultura
E de classe social.
Mas, para se viver bem,
A humanidade tem
Que respeitar no geral.

Os desejos e os afetos
Fora da “normalidade”,
São ainda preteridos
Por nossa sociedade.
Alguns aceitam, outros não.
Pois ainda há repressão
E preconceito à vontade.

O negro, o branco, o amarelo...
Qual é a cor que convém?
São apenas diferentes!
Ninguém melhor que ninguém.
Sejam crentes e/ou ateus,
São todos filhos de Deus
E os mesmos direitos têm.

Opiniões diferentes;
Formação, educação;
Cultural experiência;
Atitudes, credos... São
Pontos diversificados
Que, se forem bem usados,
Bons resultados trarão.

A linguagem diferente;
O pensar, que não condiz
Com o meu; a sua veste
De diferente matiz;
O seu grau de educação
Ou a sua origem, não
Faz que eu condene o que diz.

E assim, com meus botões,
Penso que: a diversidade,
Pra que haja paz no mundo,
Terá que ser, na verdade,
Respeitada. E eu, com fervor,
AJO COMO UM DEFENSOR,
RESPEITO A DIVERSIDADE.



Natal/RN – julho de 2010



         

(cordel feito para participar
do IV Prêmio COSERN de
Literatura de Cordel - na
Feira do Livro 2010 - em
Mossoró-RN)
Rosa Regis
Enviado por Rosa Regis em 08/08/2010
Alterado em 14/12/2014
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