Sem noção de amor fraterno// O homem agride o irmão,// Num ato que mostra o inferno// Que trás em seu coração.

Rosa Regis Brincando com os Versos

Pensares que se transformam //espalhando poesia, //pegam carona no vento// enchem meu ser de alegria

Textos


A FEIRA DE CARUARU (Uma feira miscigenada, com a cara do Brasil)
4º Lugar 2010

2º CONCURSO DE LITERATURA DE CORDEL “A FEIRA DE CARUARU É PATRIMÔNIO DE TODOS NÓS”
Promovido pelo Pontão de Cultura Feira de Caruaru, projeto desenvolvido pela Fundação de Cultura e Turismo de Caruaru e pelo IPHAN, em parceria com Academia Caruaruense de Literatura de Cordel e A Casa da Poesia de Caruaru.


 
A FEIRA DE CARUARU
(Uma feira miscigenada,
com a cara do Brasil)
4º Lugar

É uma feira diferente,
Não só na sua extensão,
Mas, pela diversidade,
Pela movimentação.
Uma feira brasileira,
Nordestina e estrangeira,
Pela miscigenação.

Há mais de 200 anos
Com Caruaru surgiu;
Se ela seguiu a Cidade
Ou se a Cidade a seguiu,
Niguém sabe. No entanto
Se sabe que, por encanto,
Cresceu e evoluiu.

Vem gente de toda parte
Com produtos pra vender.
A feira vai se espalhando
Cada vez mais a crescer.
Por sua diversidade,
Hoje, nela, de verdade,
De tudo se pode ver.

Nas centenas de barracas
Coloridas: tem picado,
Sarapatel, costeleta,
Toucinho de porco assado,
Que bem regado à caninha
Com um pouco de farinha,
É gostoso pra danado!

Encontra-se artesanato
Do mais grosseiro ao mais fino;
Chapéus de palha, gaiola;
Calça e calção pra menino
Lá na Feira da Sulanca.
Cadeira com perna manca,
Sapato de bico fino.

Título de Patrimônio
Cultural já recebeu.
O MinC, pelo IPHAN,
O título lhe concedeu.
2006 foi o ano
Que, salvo qualquer engano,
O fato, em si, ocorreu.

Nessa feira inusitada
Tem tudo que se procura:
Farinha de mandioca,
Beiju de coco, ticura,
Tem manteiga, queijo, leite,
Tem margarina e azeite
Para uma boa fritura.

Tem frutas e tem verduras,
Galinha, pato e peru;
Tem bolo pé-de-moleque,
Tem sirigoela e umbu
E tem garapa de cana
Feita de cana caiana
Plantada em Caruaru.

Tem cachimbo e currimboque
Feito de chifre de bode
Que é para por o rapé
Ou o tabaco, que acode
Ao sertanejo gripado
Ou, ainda, constipado,
Cujo espirrar o sacode.

Tem a feira de mangalhos;
A feira de passarinhos
Onde tem todos os tipos
E tem também alguns ninhos;
Tem a feira dos calçados,
De roupas, ferros usados;
Brinquedos pros garotinhos.

Na feira de troca-troca
Nada tem para vender,
Como o nome mesmo diz,
Tudo nela tem que ser
Um pelo outro trocado.
O escambo realizado
À moda antiga, ao meu ver.

Ali o sujeito troca
Bicicleta por jumento
Botijão de gás por água,
Sal e sabão por cimento.
Troca-se arreio de sela
Por cinturão sem fivela,
Cachaça por alimento.

A feira de artesanato,
De importados, de gado;
De gaiolas, de cerâmica,
De ferro galvanizado;
De castanha de caju.
E mais, em Caruaru,
Será, por certo, encontrado.

Coco da praia e anão
Aratu e caranguejo;
Rato branco, guaxini,
Urupema, bolo e queijo;
Arnica pra quebradura;
Reza com arruda, que cura;
Urna pra botar desejo.


Rosa Regis
Natal/Rn - maio de 2010
Rosa Regis
Enviado por Rosa Regis em 25/05/2011
Alterado em 28/07/2014
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