Sem noção de amor fraterno// O homem agride o irmão,// Num ato que mostra o inferno// Que trás em seu coração.

Rosa Regis Brincando com os Versos

Pensares que se transformam //espalhando poesia, //pegam carona no vento// enchem meu ser de alegria

Textos


O JERIMUM



Jerimum, é a terrinha
d'onde eu nasci, seu doutô!
Naquele tempo era linda!
Enfeitada de fulô,
cheinha de passarinho
cantando hinos de amô.

Suas casinha de taipa
cum chão de barro amassado,
só tinha cuma mubia
um banco nego e alongado
no aipende sempre esperando
o viajante cansado.

Dento da casa, seu moço,
a sala era mubiada
c'uma banca de três perna
sempre de crochê forrada,
um oratóro, e estampas
de santo dependurada.

Uma mesa e três banquinho
encostada na parede.
Cotovelo de madeira,
dois, pra armá uma rede,
no canto da sala um pote
d'água pra matá a sede.

Camarinha sem janela,
só cabe a cama de vara,
adonde o casá, cansado,
de noite nem arrepara
na dureza da drumida.
E drome até qui quilára!

Do lado da cama, um cepo
com um candiêro im riba,
um currimboque e um cachimbo.
E o casá nunca briga.
Pruque o casá briguento
Deus pune ele, castiga!


Na cunzinha, um jirau feito
de vara e quato furquia,
onde se lava as panela,
os prato e outas vasia.
E no canto da parede
um pote n'outa furquia.

No outo canto três peda
foimando o fugão de lenha
potregido c'uma latra
pra que o vento não venha
apagar ele, e na hora
o aimoço a famia tenha.

Os inchamé tudo preto
e de pucumã cubetho,
asseparado um dos ôto.
Im riba o teto cubetho
cum paia de coco seca.
Ninho cetho pra inseto.

É qui a cunzinha é abetha.
Não foi cum barro tapada.
São só os pau infincado.
E im riba uma latada
feita de paia de coco
pra livrá das invernada.

Os terrêro fulorado,
limpo! muito bem barrido!
Poi a moçada barria
e apanhava no vistido
de saia laiga - godê,
cuma era o custume tido.


Tudo era simpre doutô!
Mai o povo era fili.
Isso era naquele tempo!
Pruque hoje, o qui si di
é qui: o pogresso chegô
e fei nosso povo infili.

Os usinêro compráro
as terra purarredó!
E, sem terra, o trabaiadô
sofre qui fai até dó:
ganhando um saláro mimo
trabaiando de só a só.

E só no tempo de prantio,
da limpa e do cuiê!
Adispois fica parado
sem tê nada o qui fazê.
E isso é qui mata o pobe
qui num tem do que vivê.

E agora, seu doutô,
ele sofre ainda mai
pruquê já cunhece as coisa
qui num cunhicia atrai.
Cunhece e num pode tê.
E isso o fai sofrê dimai.

Quando será que meu povo,
seu doutô, vai tê dereito
a uma vida mió?
Me pregunto: Terá jeito?!
Poi inté os passarinho,
suas cantiga e seus ninho,
o rico levou de eito!!




Rosa Ramos Regis
Natal/Rn,
06/04/2006 (meia noite + ou -)

Revisado em 06.10.2015 (Zéro horas)



 
Rosa Regis
Enviado por Rosa Regis em 10/04/2006
Alterado em 14/06/2020


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