Sem noção de amor fraterno// O homem agride o irmão,// Num ato que mostra o inferno// Que trás em seu coração.

Rosa Regis Brincando com os Versos

Pensares que se transformam //espalhando poesia, //pegam carona no vento// enchem meu ser de alegria

Textos


C U L P A D A
(Desabafo)



De tudo, tu és culpada,
Maldita sem coração!
Da morte do pai... Safada!
E da miséria do irmão.

Se alguém adoece, és culpada!
Se melhora, não foste tu,
Certamente, a encarregada
Dessa melhora, “urubu”.

Tua mãe adoeceu?!...
A culpa é tua também.
Teu instinto só não deu
Para a ninguém fazer bem.

Puseste tua mãe no hospício.
Num hospital de “pinéus”.
O qual, ela desde o início
Chamou de “oposto do Céu”.

Teu marido, pobrezinho!
Quando contigo casou,
Sofreu tanto, “o coitadinho”,
Com a megera que pegou!

Sempre por ti humilhado,
Discriminado, ofendido;
Deixado sempre de lado
Como um leproso “banido”.

Se tu com ele saías
Para ir a algum lugar
Onde muita gente os via,
Procuravas disfarçar.

Pois: de doida! Burra! Imbecil!
Os “melhores” adjetivos,
Dele sempre se ouviu.
Devia ter “bons motivos”!

As brigas que em casa havia,
Não é que tu, desgraçada,
Dos filhos, esconder querias,
Como não houvesse nada!

E o coitadinho sofria
Fazendo greve de fome,
Numa terrível agonia,
Dizia: EU SOU É HOMEM!!!

Tu querias estudar,
Oh! Que grande atrevimento!...
Não vês que vais procurar
Um terrível sofrimento?!

Pois na sua “brilhante mente”
Tu não podes te formar.
O “coitadinho” pressente...
Tu só o queres humilhar!

E quando tu, finalmente
Entraste p’ra Universidade,
Ele te deu de presente
Provas de amor de verdade.

Te proibiu de sair
Ou com alguém festejar.
Não te permitiu sorrir,
Nem também comemorar.

E p’ra fazer a matrícula,
Avisa de antemão:
-Ora!... Que coisa ridícula!
Eu não vou contigo, não.

Do trabalho ia p’ra casa
Direto, no seu carrinho.
E tu, boba, ias p’ra aula
Num ônibus apertadinho.

Tudo isso era porque
Teus estudos era uma afronta,
E no seu modo de ver,
Da casa, “não davas conta”.

Eras uma descarada.
Nem p’ros filhos tu ligavas.
E com tua “cara lavada”,
Até “chifres” tu lhe botavas!

Dos filhos?!... Ele falava:
- Sei lá se tem algum meu!...
Pois de ti desconfiava,
E “muitos homens te deu”.

Para filha!... Ele falava:
-Tu não terás bom futuro,
Pois tua mãe, afirmava,
A desencaminhará, eu juro!

E a filhinha perguntava
À desgraçada da mãe:
- Mãe!... é isto que eu estou pensando,
O que ele está dizendo, mãe?!

E a “megera” respondia:
- É sim, filhinha querida.
Mas esquece esta heresia,
Pois Deus guia a tua vida.

Um dos seus filhos homens,
O mais velhos, o mais danado,...
Tu, “filha de lobisomem”,
Não amas o desgraçado?!..

Pois quando ele “aprontava”
Tu só lhe davas conselhos;
Enquanto o paizinho, “coitado”,
O esculhambava... e feio!

De: Marginal descarado!...
Ladrãozinho sem vergonha!...
Filho da mãe!... Safado!...
“Uma educação medonha”.

Hoje, com o filhote preso
Por uma coisa “hedionda”,
O papai chora, surpreso!...
Vendo que não é só “onda”.

Mas, a culpada és tu
mulher má, sem coração...
Sangue frio, “urubu”,...
Que não merece perdão!

Tu não gostas de ninguém,
Tu não amas teu marido,
Tu a ninguém queres bem.
Nem ao teu filho querido.

Êta mulher desgraçada!
Eu não quero nem te ver!
Mulher assim desalmada,
Ainda está pra nascer.

E se tu não vales nada,
“Pega o beco”, condenada!
Ninguém por ti vai sofrer.



Natal/RN - 01/02/1999.
Rosa Regis
Enviado por Rosa Regis em 28/01/2007
Alterado em 05/06/2018


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