Sem noção de amor fraterno// O homem agride o irmão,// Num ato que mostra o inferno// Que traz no seu coração.
Rosa Regis Brincando com os Versos
Pensares que se transformam //espalhando poesia, //pegam carona no vento// enchem meu ser de alegria
Textos

PORTEIRA em SONETOS

   (Fernando Clima, Odir Milanez e Rosa Regis)

 

TROCA DE MENSAGENS POÉTICAS

no Site POESIA PURA - www.poesiapura.com,

no forum FERNANDO PESSOA.

 

 

PORTEIRA VELHA

 

 

Pela porteira velha do curral

Passaram tantos passos do passado,

Alguns já lentos outros apressados,

Quase todos com destino igual.

 

A tarde também passa afinal,

Bem devagar e com seu ar cansado,

Mostrando que chegar do outro lado,

É o lugar comum e natural.

 

Porteira velha de idas e vindas,

De secas e de invernias lindas,

Onde viajam sonho e crendice,

 

Tuas batidas e os teus gemidos,

Pelos tempos e por dias seguidos,

São as dores finais duma velhice.

 

 

Fernando 11-01-09. em nossa

Fazendinha no Ingá - Pb.

 

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PORTEIRA DE ENGENHO

Rememorando

o Engenho Mundo Novo, em Areia.

 

 

Porteira velha de vetusto engenho

a se manter movente, de atalaia,

trancando a trilha com teimoso empenho,

demarcando, precisa, a sua raia.

 

Porteira do passado donde venho,

postada no percurso após a baia,

saudade das montadas no seu lenho,

no tempo da folgança e da gandaia!

 

Escorada nas velhas aramagens,

hoje verga no peso dos madeiros,

vez em quando rangindo nas rolagens.

 

Porteira velha em transes derradeiros,

vagindo ao vento às noturnais passagens

das levas de zumbis dos bois carreiros!

 

 

Odir, fazendo companhia

ao poeta Fernando,

de passagem.

 

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Aproveitando o embalo de:

PORTEIRA VELHA de fclima,

e PORTEIRA DE ENGENHO,

de Odir Milanez (dois belíssimos sonetos)

 

 

SEM CERCA E SEM PORTEIRA

 

 

Sem cerca e sem porteira - onde eu vivi

A minha meninice e juventude,

Corri, brinquei, gozei o quanto pude.

As coisas tristes eu as esqueci.

 

Banho de bica, coquinhos... os comi

Às margens do riacho, ou do açude

Que, quando cheio na sua plenitude,

De atravessá-lo, prazer sempre senti.

 

Só bem depois as porteiras chegaram

E, com arame farpado, nos cercaram

Tirando toda a nossa liberdade.

 

Aquilo que era público, hoje é privado.

O açude não é mais liberado.

Os meus olhos raseiam de saudade.

 

 

Rosa Regis

 

 

 

Rosa Regis, Fernando Clima e Odir Milanez

Enviado por Rosa Regis em 03/06/2010

Reeditado em 25/06/2020

Rosa Regis, Rosa Regis e Fernando Cunha Lima e Odir Milanez(in memorian)
Enviado por Rosa Regis em 18/10/2025
Alterado em 18/10/2025
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